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Sem Rumo
 


CONTRA REGRA

Eu ficava sempre ali, quieto no meu canto. Vezes encostado no balcão, vezes sentado na escada que levava para o mezanino. Tinha um copo de qualquer destilado como companhia nas noites em que queira ficar quieto na minha e quando queria farra, ficava no mesmo lugar, mas com uma cerveja bem gelada. Estranho por que mesmo querendo farra continuava quieto no meu canto, ou no balcão ou na escada que levava para o mezanino. Isso faz algum tempo já, nem tanto tempo, mas um bom tempo, um tempo que faz reparar que nem beber mais como antes eu ando bebendo, já tem gente dizendo que eu não passo de propaganda enganosa e eu de vez em quando acabo me olhando no espelho, vendo as entradas que  a cada dia que passa ficam mais visíveis e começo a achar sinceramente que eu não passo de uma propaganda enganosa, uma mentira inventada por Deus, e eu ainda não descobri qual papel vou ter que cumprir nessa curta passagem de tempo, e acho sinceramente que vou morrer sem saber, então já sei o que vou perguntar pra ele quando chegar lá, vou perguntar por que não me mandou o roteiro antes pra dar uma estudada e não gaguejar tanto nas falas, acho que só isso que perguntaria, e acho que a resposta seria algo como, você não era um personagem, era apenas um contra regra.



Escrito por Fabiano Rosa às 14h25
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Mais uma do blog do Bortolotto

Roubando mais uma vez texto do blog do Mario Bortolotto que esta linkado ai do lado:

 

“Tem horas que a gente simplesmente pensa em mudar tudo. Recomeçar a vida do nada. Esquecer os livros que já leu, as mulheres que passaram pela vida, os amigos que nos ampararam, os barulhos que nos incomodaram na noite. Só não penso em esquecer os textos que escrevi. E quando releio os textos, lembro dos livros, das mulheres, dos amigos e de todos os barulhos noturnos. Eles continuam lá como fantasmas que mexem em nossos chinelos em cima da poltrona. E é isso que me impede. Os negócios que escrevi ao longo desses anos. A escrita me aprisiona. A escrita me aproxima e me afasta de Deus. A escrita me desperta e me nocauteia. Tenho tido várias decepções na vida, mas a escrita é a única que não me decepciona nunca. Ela sempre esteve a serviço de minhas explosões de alegria, de minhas obsessões, de minha submersão na tristeza mais profunda, nos meus rompantes de renascimento. A escrita é minha mais fiel amiga, namorada, companheira e minha inimiga mais leal. Posso perder tudo, mas não posso perder a capacidade de me emocionar e de escrever. O resto é essa vontade de olhar os carros passando pela estrada, um rock do Lynyrd Skynyrd na cabeça e a possibilidade de um novo poema. E me parece mais do que o suficiente.”



Escrito por Fabiano Rosa às 13h03
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CARTA NÃO EXTRAVIADA

A gente pode apenas ficar ali um olhando pro outro

A gente pode dar a volta no mundo ou talvez só uma volta no quarteirão

Podemos montar um placar de frases que nos deixam sem palavras

Podemos sorrir,

Ouvir CELSO BLUES BOY, e eu vou cantar alto “DENTRO DE NÓS SEMPRE BILHARÁ”, ou vou deixar você cantar aquelas baladas pop que eu adoro ouvir no seu tom de voz e você ainda nem se deu conta.

Podemos correr também de mãos dadas juntos

Talvez correr um de encontro ao outro de braços abertos para ganhar um abraço forte e apertado.

Vamos roubar aqueles versos de músicas e fazer os amigos rirem da lua, mas depois vamos achar graça quando cantarem TENDO A LUA AQUELA GRAVIDADE A ONDE O HOMEM PROCURA, MERCIA A VISITA NÃO DE MILITARES, MAS DE BAILARIOS E DE VOCÊ E EU.

Depois a gente pode parar e eu ficar serio com uma dor de cabeça por que vinho me da dor de cabeça, mas eu to gostando de trocar meu fiel Bourbon por uvas envelhecidas e eu nem ando sentindo falta da nicotina nesses momentos.

E você pode sim olhar com carinho quando eu assumir que não sou tão sereno assim mas não precisa querer mudar o fluxo natural das coisas, eu ali não estava chateado, estava só pensando e talvez quando eu pare um pouco pra pensar, pareça estar chateado, mas lhe garanto, é impossível ficar chateado vendo aqueles olhos e admirando a arte que tens de sorrir com toda a face, juro que agora pensei em mudar o TENS mas não adianta, minhas raízes portuguesas que vem do lado materno me perseguem e não te contei aquele dia, mas sua amiga estava certa, tenho minhas raízes portuguesas, só não sabia que até na escrita estava tão explicita.

Sim, acho que esses rabiscos são uma carta.

Gosto de cartas, já te contei essa outra mania, geralmente escrevo elas breaco, mas esta, escrevo sóbrio diferente daquela que lhe mostrei dias atrás que tinha bebido um vinho barato e trocado a noite por ficar em casa pensando numa peça e nos poemas que tenho que trabalhar arduamente, e ali me dei conta que você faz parte do que hoje escrevo e as musicas que na vitrola tocava me fazia viajar pro seu lado. E tem gente por ai que ainda ri da lua...

Um grande beijo. Ah, e eu não me incomodo não. Apenas penso, e meu pensar não é estar chateado, é apenas pensar. O importante é estarmos bem, não é?

A gente pode dar uma volta ao mundo ou apenas uma volta no quarteirão.

A gente pode ser muito mais, hoje e sempre.

E to ouvindo CELSO BLUES BOY agora, engraçado, tocava e cantava essa musica tempos atrás pensando que as coisas não poderiam mudar e pra provar que não sou bom em prever nada tudo mudou:

SO ME RESTA UM BLUES

 

Eu andava em busca

Pela rua ou qualquer lugar

De uma mulher que soubesse amar.

 

A meia noite e meia parei num certo bar

Pra me esquentar da solidão

E pensei comigo, se já não há mais amor.

Pelo menos pra mim,

Só resta um blues.

 

Eu estava cheio de idéias

E agora como estou,

Conversando com drinks sem ninguém,

 

Mas já conheço a história

De ficar vagando a noite

Comprimentando morcegos, bebendo num bar.

Mas enquanto o tempo não passa

Eu nada posso fazer.

Pelo menos pra mim,

Só resta um blues.

Pelo menos pra mim,

Só resta um blues.

 

Enquanto o tempo não passa

Eu nada posso fazer.

Pelo menos pra mim,

Só resta um blues.

Pelo menos pra mim,

Só resta um blues.

Pelo menos pra mim,

Só me resta um blues!


 

Amanhã aniversario da pequena, 18 anos já se passaram e a gente nem se da conta e isso ta mexando comigo, que ela seja extremamente feliz:

E vamos convir, parece, não parece?




Escrito por Fabiano Rosa às 13h50
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VELHO CARECA

Lembro bem quando íamos às exposições no parque da Água Funda.

Me divertia. Adorava caminhar até o ponto de ônibus de mãos dadas com meu pai. Tinha uns 5 anos mais ou menos, na época ainda era filho único.

Nas noites que antecediam o grande dia, lembro que não conseguia nem dormir. Ficava ali ansioso, imaginando como seria ver os cavalos, bois e vacas junto com meu pai.

Meu pai nasceu na roça pelas mãos de alguma parteira da região que bem provável também era benzedeira e largou toda aquela paz quando tinha 18 anos e veio encarar a cidade grande a fim de fazer seus pais se orgulharem do filho homem mais novo, e hoje meus avós paternos não estão mais conosco, mas sei que ambos se orgulharam do meu pai, ambos o tiveram como o grande filho, que saiu do nada pra ganhar o mundo e eu apesar de não demonstrar isso tenho um orgulho imenso de ser filho daquele calvo que tem o olhar sereno e fala muito pouco.

Então, sempre que aconteciam as exposições no parque da água funda, minha mãe nos acordava bem cedo, não tínhamos carro na época o que dificultava um pouco a ida, mas não exista problema com isso também. Minha mãe me aprontava, enquanto meu pai fazia a barba. Depois de prontos, tomavámos um café reforçado daqueles que só nossa avó ou mãe sabem preparar, nos levava até o portão e ficava vendo a gente partir de mãos dadas. Eu adorava andar de mãos dadas com meu pai.

Quando no parque chegávamos, tudo era fantasia, os olhos do velho brilhavam quando via as montarias, e sempre me contava que quando adolescente ele era um bom cavaleiro e eu sabia que era verdade, minha avó sempre contava as estórias do meu pai cercando o gado lá na fazenda.

Era tudo muito simples, a gente ficava ali admirando tudo. Os olhos do velho se entregavam que estava com saudade da terra natal. Os meus apenas admirava tudo aquilo.

            Hoje vindo trabalhar passei em frente ao parque da água funda. Já deve ter quase seus 20 anos que não apareço por lá e fiquei meio constrangido quando pensei em quanto tempo tem que não levo um papo com meu pai. O tempo vai passando e vamos deixando de lado o sentimento que nosso pai é sim o nosso herói, ou melhor, a gente até sabe que ele é e sempre será o único herói, mas não consegue admitir isso. Os olhos dele já são hoje muito mais cansados que há 20 anos, e os meus já não brilham tanto como brilhavam quando tinha 5 anos. Me olho hoje no espelho e vejo que os traços dele estão cada vez mais claros em minha face, e até de minhas entradas me orgulho, vão sempre dizer, filho de peixe, peixinho é, e eu vou sorrir orgulhoso, por que esse cara que nasceu no dia 24/06/1952 dia de são João Batista que leva o mesmo nome é o cara com maior caráter que já conheci e talvez eu nunca tenha coragem de dizer isso a ele, mas quem ver meu sorriso orgulhoso vai saber que o único herói que já tive é este velho careca.



Escrito por Fabiano Rosa às 14h32
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Enfim

"Era ASSIM : o que quiser que tenha, tinha.Tinha arrebol ? Rouxinol ? Luar do sertão, palmeira imperial, girassol, tinha.Também tinha temporal, barranco, às vezes lamaçal, o diabo.Depois bananeira, até cachoeira, mutuca, boto, urubu, horizonte, pedra, pau, trigo, joio, cactus, raios, estrela cadente, incandescências. Enfim."

 

Não sei o por que, mas gosto desta frase do Chico Buarque que esta em algum livro por ai que também não sei qual é, e gosto como gosto de uma paulada de outras coisas e não faço a minima ideia do por que gosto e acabei de descobrir que também não sei usar os POR QUEs juntos ou separados e tive a certeza que acho a regra do junto ou separado um tanto quanto idiota, como também acho idiota mais uma paulada de outras coisas jogadas por ai. Se for fazer um balanço geral vou descobrir que mais não gosto do que gosto de tudo, mas de alguns tempos pra cá isso pouco vem importando e ando sereno assim, menos sem rumo, com um sorriso sincero no rosto que gera interrogações e mais interrogações naqueles que me viam ali, encostado no balcão do bar com um copo em punho, os olhos pro nada ouvindo os compassos do blues, quieto na minha sem querer ser incomodado. E essa madrugada voltando pra casa me dei conta disso.

Loucura, mas que ela seja perdoada.

Encontrei as turmalinas que faltavam.

Sorri sincero quando brilhavam.

Dei risada com os casos.

Deixei o porto aberto para atracar e foi atracado, e isso só não é mais recompensador que o sorriso que vi de tão perto. Muito mais perto que qualquer um de nós pudessemos acreditar ver tempos atras, e tudo isso fez parte da fantasia que me contavam antes e eu não acreditava existir.

 

"Era ASSIM : o que quiser que tenha, tinha.Tinha arrebol ? Rouxinol ? Luar do sertão, palmeira imperial, girassol, tinha.Também tinha temporal, barranco, às vezes lamaçal, o diabo.Depois bananeira, até cachoeira, mutuca, boto, urubu, horizonte, pedra, pau, trigo, joio, cactus, raios, estrela cadente, incandescências. Enfim."



Escrito por Fabiano Rosa às 22h38
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Tempos atrás

Deixe disso e venha cá deitar no meu colo.

Quero acarinhar sua nuca com a ponta dos dedos e te contar segredos que nem existem.

Vou ler você e provar que é sim pura poesia

Mostrar-te que teu corpo é um mapa astral

E cada ponto nele destacado é uma estrela

E no todo, és uma constelação.

 

 

 



Escrito por Fabiano Rosa às 22h58
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DA PERFEIÇÃO

A ídéia não é perfeição.

É fazer perfeito.



Escrito por Fabiano Rosa às 08h56
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NOITE

A noite foi turbulenta com eu já havia previsto quando me deitei e tentei fechar os olhos pela primeira vez.

Minha sorte é que algo lá no fundo também existia algo que me acalmava. A angustia às vezes deixava uma fresta para a paz se acomodar, e nesses minutos eu ficava sereno, mas logo a angustia se dava conta que estava perdendo território voltava à tona.

Levantei, fui até o bar da sala me servi de uma boa dose de scoth, coloquei na vitrola uma coletânea antiga e fiquei ali sentado no sofá olhando o breu e ouvindo aquelas melodias.

Enquanto soava na vitrola os acordes maiores de uma canção que eu adorava cantarolar anos atrás, imagens se formavam no meio da escuridão. Imagens que não saem da cabeça a um bom tempo, e toda aquela angustia que eu tanto falava tempos atrás foi fazendo mais sentido. Aquele sentimento zonzo que me nocauteava começava a fazer sentido comecei a entender que era uma mistura de tudo, a saudade dos que já se foram a um bom tempo, a saudade de quem por ai ainda esta, o medo do que o dia de amanhã poderia causar. Descobri até o por que da decisão que havia tomado mês passado e até agora não sabia o por que e então lembrei da musica do PENINHA que tem a seguinte frase: SAUDADE ATÉ QUE É BOM, É MELHOR QUE CAMINHAR VAZIO, A ESPERANÇA É UM DOM QUE TENHO EM MIM, nesse momento, se alguém ali estivesse junto comigo entenderia o por que ando na beira do vulcão, então lembrei da mesma musica cantada ao vivo por PAULINHO MOSKA onde ele diz na ultima frase para toda platéia: SEREMOS TODOS MUITO MAIS FELIZES, CERTO?

O gelo já havia derretido, eu dei um ultimo trago deixando o copo em cima da mesa. Acendi o abajur pra não incomodar ninguém, e olhei ao redor, vi minha vida estampada nas paredes, nas anotações com meus garranchos jogados em todos os cantos, fui até as prateleiras e pegava um livro escolhia uma pagina aleatória e lia uma frase, em outro livro lia um trecho, em outro um poema, lembrei das frases, lembrei até do LULU SANTOS, quando ele diz que NÓS SOMOS MEDO E DESEJO e mais uma vez abri um sorriso, enfurecido por saber que TEM CERTAS COISAS QUE EU NÃO SEI DIZER, desejei a companhia para que veja nos meus olhos e no meu sorriso aquilo que não sei dizer, e então eu DEI POR MIM, QUE NEM TENTEI FUGIR, e dizem por ai que em quase 3 décadas, foi a primeira vez que eu não tentei fugir, talvez por isso deixei aquela caminhada SEM RUMO e ando pensando em viver cada segundo sem me importar com o que pode vir há acontecer no segundo seguinte, sem planejar muito, apenas viver e então ver aquele sorriso de perto, como a frase disse a ela: SORRIA, APENAS UM SORRISO BASTA.

Voltei pra cama, não deixei a angustia tomar conta, fiquei ali olhando pro teto e cantarolando, um pena que a madrugada já estava no seu fim.



Escrito por Fabiano Rosa às 11h37
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Sem esquentar muito...

Não sei em qual fase da lua estamos, mas hoje ela estava bem mais bonita que em outras noites. Talvez seja por estar enxergando tudo com outros olhos, vendo beleza até nos insetos mais medonhos que habitam as bandas daqui. Meus olhos miupes ainda acham o foco com mais facilidade e as cores, não tinha reparado ainda o quanto às cores são belas.

Hoje rolou ensaio mais uma vez, o ultimo ensaio antes do show, não foi dos melhores, mas deu pra acertar algumas coisas e bagunçar outras.Deu pra atentar a cada frase de cada música. Deu pra sentir, que as músicas que eu adoro mas pouco ouço fazem sentido nas andanças por ai, coisas que me pego cantando mas não vou revelar.

Outras confusões aconteceram no meio disso tudo, mas não to ligando muito pra tudo isso hoje em dia, já não me preocupo mais, quando acontece eu fico de canto pensando no que realmente vale a pena. Deixo de lado e volto sereno, sereno. Já me esquentei de mais, acho que aprendi a como caminhar, na companhia desejada ou na “solidão dos bares que a gente freqüenta”.



Escrito por Fabiano Rosa às 21h47
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É tudo igual.

Eu disse que era igual.

Ela devolveu dizendo que tudo era muito igual.

Do medo em excesso que lá atrás existia, restou apenas uma pequena dose que hoje nos faz bem.

Faz que sejamos um só ser.

Faz o abraço sincero e apertado surgir, e aparecem às frases jogadas ao pé do ouvido, frases acolhedoras e então o sutil toque dos lábios e depois os olhos fixos um no outro.

Nesse momento o silencio se faz presente, deixando apenas os olhares.

As palavras ali são desnecessárias.

Os lábios voltam a se tocarem agora menos sutis e sim mais intensos.


 

 

 Sei eu que apenas os poetas sabem explicar. E eu que nunca fui bom com as palavras. Cometeria injustiça.

 


 

 

Não me lembro de nada na ida.

Apenas dos meus olhos se fechando.


 

 

Quando lá chegamos, a loucura já havia sucumbido toda a sanidade que antes nos atormentava.


 

 

 

Antes os dois sentados no sofá um ao lado do outro.

Um vinho barato nos alegrava.

No primeiro trago que dei, o saudosismo bateu, o mesmo vinho que adorava beber em rodas de violão sentado na calçada quando não existiam preocupações alguma, agora estava ali, e me deixava perdido em pensamentos com quem do lado estava.

Me controlava para não acarinhar sua pele macia. Lutava contra o desejo explicito em meu olhar.

Ela se levantou e foi se maquiar.

Eu já estava pronto a ir embora, mas antes caminhei até a cozinha para encher o copo que já estava vazio.

Ela saiu do quarto e caminhou linda até onde estava. 

Um beijo rápido, uma troca de olhar rápida e eu que há 5 segundos atrás pensava em me despedir em uma fração de segundos decidi ficar.

Fomos até o carro.

Na frente amiga dirigia, do lado um que quase foi milionário, no banco de traz do lado esquerdo a guria em comum para ambos, no centro ela, na direita eu.

E quando as mãos se tocaram já sabíamos que ali nos entregaríamos, e assim se fez, quando a rua por onde percorríamos ficou deserta, as vozes ao redor desapareceram e a musica que tocava se desfez.

Perdemos todo o sentido da razão.

Éramos dois loucos acorrentados um ao outro.


 

 

Havíamos nos entregado antes de chegar ao destino. E quando chegamos, o lugar tão bem conhecido por ela e um ambiente atípico para mim.

Um lugar bacana que eu não conhecia e certeza que se não fosse por ela não conheceria tão cedo. Mas como disse, um lugar bacana, gente se divertindo, musica ao vivo e por ai vai.

De tudo. Dos beijos, dos abraços, das musicas, do amigo, da amiga com olhar de quem não acredita, da amiga que faz parte das coincidências, o que de melhor se teve foram às palavras. O questionamento do por que ser tão bom. Das afirmações sobre VIR aos poucos. De fazer bem. De estar feliz.

Talvez ela não saiba, mas eu divido cada fato desses.

É bom.

Eu VOU.

Faz bem.

Faz feliz.

Deixa sereno.


 

 

Ela ainda diz que tem medo. Eu digo pra ela esquecer o medo e vir aqui, por que aqui tem alguém que talvez não afaste seu medo, mas que vai lhe acolher, e ela vai ter alguém com quem contar.

É tudo muito igual, as coincidências que nunca fizeram tão presentes devem valer de alguma coisa.

Não é possível ser apenas o acaso.

As historias vão se unindo e até as confidentes dividem a mesma graça.

E o acaso vai se transformando em tonéis de felicidade.

Felicidade que foi a palavra que ela escolheu dias atrás.


 

 

Pode contar comigo.



Escrito por Fabiano Rosa às 00h28
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SONO

Eu tenho um monte de coisas pra escrever por aqui. Mas cheguei as 6 da matina bem breaco, cochilei durante uma hora e fui dar minhas aulas de musica e agora não estou em condições de rabiscar coisa com coisa, então, volto por aqui mais tarde, vou deitar e sonhar um pouco, depois acordar pegar meu contra baixo e ensaiar para o show de semana que vem, que já falei por aqui e estão todos convidados.

Então, lá vou eu pra minha cama e deixo a trilha pra vocês e mais uma vez o tal do negrito.

 

TELHADOS DE PARIS

 

Venta

Ali se vê

Onde o arvoredo inventa um ballet

Enquanto invento aqui pra mim

Um silêncio sem fim

Deixando a rima assim

Sem mágoas, sem nada

Só uma janela em cruz

E uma paisagem tão comum

Telhados de Paris

Em casas velhas, mudas

Em blocos que o engano fez aqui

Mas tem no outono uma luz

Que acaricia essa dureza cor de giz

Que mora ao lado e mais parece outro país

Que me estranha mas não sabe se é feliz

E não entende quando eu grito

 

O tempo se foi

Há tempos que eu já desisti

Dos planos daquele assalto

E de versos retos, corretos

O resto da paixão, reguei

Vai servir pra nós

O doce da loucura é teu, é meu

Pra usar à sós

Eu tenho os olhos doidos, doidos, já vi

Meus olhos doidos, doidos, são doidos por ti

 

Nei Lisboa

 

Meus olhos doidos são doidos por ti.



Escrito por Fabiano Rosa às 14h23
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Do acaso...

Foi assim:

Num certo momento, Eu:

"Adoro a lucidez da tua loucura,
imploro a insensatez de teu pensar.
Instiga e questiona o teu olhar,
Mastiga e aprisiona a alma impura."

Cesar Veneziani

No mesmo momento certo, Ela:

"Adoro a lucidez da tua loucura,
imploro a insensatez de teu pensar.
Instiga e questiona o teu olhar,
Mastiga e aprisiona a alma impura."

Cesar Veneziani

A Camila que esta com o blog linkado ai do lado e lhe garanto que de muito vale conferir por que tem o dom de pegar no ar tudo que acontece e mostrar pra gente que aquilo que passou desapercebido é o que mais valeu naqueles poucos minutos, definiu com a seguinte frase:

"Parece que tem alguém observando e cochichando as coisas por ai..no vento"

E eu não pude discordar...



Escrito por Fabiano Rosa às 22h14
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Feira da Pompéia 2010

A Helena Hutz, guria que tem o blog linkado ai do lado que tive o prazer imenso de conhecer nos blues de quinta feira lá no aurora produziu o PALCO VIVÊNCIAS e a RUA DA LITERATURA na feira da POMPEIA que acontece este domingo dia 16 de maio.

To zonzo com toda programação, vai valer muito a pena conferir:

10:20h Debate sobre a Luta Antimanicomial

Apresentações:


1- Mortos?

Apresentação às 11:20h

Release: A des-organização musical Mortos? assombra ruas, espaços públicos e privados já há alguns anos. A formação da banda sempre varia. Os membros que comparecem geralmente encontram-se em tratamento psiquiátrico. Os Mortos? só tocam canções próprias as quais denominam blues brasileiros. A maior influência da banda está justamente na origem dos blues - pessoas escravizadas, injustiçadas e sem dinheiro cantando sobre suas neuroses. "Amnésia Existencial", "Se Jesus Voltar Diga a Ele que Eu Estou Dormindo", e "Eu Gostar Brazil" são exemplos de canções provocativas. As composições são geralmente enviadas por email para os integrantes. Logicamente ninguém escuta e cria improvisos que vão do blues ao free jazz, e talvez seja esse o segredo da paixão imediata da população brasileira por essa des-banda tão carismática e fotogênica.


2- Let It Be - Releitura Musical dos Beatles

Apresentação às 12:00h

Release: Grupo musical que toca uma releitura dos Beatles mixada com leituras do tema e com performance das músicas.


3- Jim Duran

Apresentação às 12:30h

Release: Eduardo “Jim” Duran escritor e ator paulista. Nasceu em Tupã em março de 1978. Tem dois livros de poesias escritos; “Uísque, Rum, Rock & Blues” com poemas de 1992 a 2006 e “Isso não é amor, é Blues” com poemas de 2006 a 2008. É um dos fundadores do Movimento dos Poetas Livres de Cuiabá-MT, chegando a participar da primeira coletânea lançada pelo grupo em 2005 com dois poemas “Mercado Modelo” e “Conclusões”. Residiu na capital mato-grossense por cinco anos quando era ator, diretor de teatro e ator de curta-metragem, chegando a ser indicado como ator revelação pelo filme “Mentimina – Não é impossível dizer a verdade.”. Realizou como roteirista, diretor e ator os curtas “OS LOUCOS” (1998), “O Zé, a mina e os caras em Bauru” 1999 entre outros. Com 18 anos de carreira prepara o seu retorno aos palcos na Cia Ágora de Teatro. Por conta da temática de seus poemas e pela musicalidade chegada ao blues e ao rock´n´roll é considerado como participante de uma nova temática beatnik. Escreve também artigos para jornais de Mato Grosso e Bahia, por onde morou por um ano e se firmou como poeta recitando seus textos no “HAVANA MUSIC BAR” em Salvador. Foi um dos vencedores do Mapa Cultural Paulista, biênio 2007/2008, na modalidade Literatura – Poesia. E figura em uma coletânea lançada pelo governo do Estado de São Paulo. Estuda Letras na FADAP/FAP em Tupã


4- Alice + Lambrusko

Apresentação às 12:40h

Release: A partir do livro Alice no País das Armadilhas, Aline Reis e Luiz Carlos Café convidam o público a embarcar no mundo cheio de aventuras e fantasias da menina Alice e seu companheiro Lambrusko. O livro nos transcende para este lugar misterioso, nos leva a degustar uma gama de variadas sensações, a ouvir acordes intensos e bucólicos
nos fazendo sentir revigorados com este sabor doce e picante como de um café forte, etílico e original, Alice no País das Armadilhas se apresenta com um show de Rock que segue a temática do livro. A banda conta com músicos convidados e Alice e Lambrusko levam um show com performances para o público.


5- Roger W. Lima e Renato Anesi

Apresentação às 13:15h

Release: O encontro e parceria do cantor e compositor Roger W. Lima com o multinstrumentista Renato Anesi nasceu em função da solicitação da pequena Sofia, de quatro anos, filha de Roger. A garotinha sempre pedia ao pai que tocasse uma “musiquinha” para ela dormir. Até ai nada de novo, mas na verdade, as tais “musiquinhas” nada tinham a ver com universo onírico de Sofia.

Assim nasceu o projeto que inclui canções inéditas compostas por Roger W. Lima nos últimos vinte anos com parcerias de Carlos Barmack (Sonífera Ilha, Lagrimas de Crocodilo), Ciro Pessoa (Toda Cor, Sonífera Ilha, Homem Primata),Apollo9 entre outros artistas.

A apresentação resgata o uso dos violões e a voz masculina na MPB, no palco estarão quatro instrumentos de corda, Renato Anesi interpreta o violão dinâmico e violão tenor (instrumentos raros no Brasil) e a viola caipira, somados a voz de Roger W Lima, que também toca violão folk.

A parceria neste show com Renato Anesi é conseqüência da admiração de Roger pelo amigo de adolescência que, com suas façanhas no campo instrumental da MPB, se coloca como o encontro ideal. A dupla se conhece desde o ginásio, lá onde Roger apresentou a primeira guitarra ao jovem Renato que já debutava com cavaquinhos e banjos herdados de seu pai, também músico. Na época, a dupla chegou a ter uma bandinha na escola. Logo em seguida, os caminhos se bifurcam e cada um vai atrás de seu caminho.

No show serão apresentadas as obras inéditas de Roger W Lima: “Existiam muitas músicas de meu repertório vivendo em um limbo... músicas gravadas e não lançadas... músicas que não cabiam em repertório de uma banda de Rock. Músicas que estavam soltas sem destino Também existiam músicas já gravadas e lançadas que não tinham minha assinatura com interprete, somados a arranjos tão simples e ao mesmo tempo complexos na leitura de Renato Anesi.”, afirma Roger.

Uma encomenda, pode-se dizer isso do repertório, que recorre a mais simples e antiga forma de tocar canções já inventadas, violões e violas somadas a voz.


6- Tranqueiras Líricas

Apresentação às 13:50h

Release: Considerado um dos principais nomes da nova poesia brasileira, o poeta Marcelo Montenegro, 39, apresenta desde 2003 suas “Tranqueiras Líricas”, espetáculo em que a palavra escrita se funde ao jazz, ao rock e ao blues.

O espetáculo já passou, entre outros, pelos Sescs Pinheiros, Vila Mariana e Consolação, Biblioteca Alceu Amoroso Lima, Galeria Olido, B_arco Virgílio, Espaço Parlapatões e Casa das Rosas além de integrar os projetos “Popular de Ruído e Literatura” (Mostra Sesc de Artes-2008) e “Poesia na Idade Mídia” (ago/2005), no Itaú Cultural, que reuniu 8 poetas brasileiros que viraram referência nesta intersecção entre literatura e música no palco. Fora de SP já se apresentou no Porão Loquax (Curitiba), CEP 20.000 (RJ) e no teatro Zaqueu de Melo fechando o “Londrix 2006” – Festival Literário da cidade de Londrina (PR).

Acompanhado do guitarrista e parceiro Fabio Brum (guitarra), Fabio Pagoto (baixo) e Rick Vecchione (bateria), Marcelo falará poemas dos seus livros “Orfanato Portátil” (Atrito Art Editorial, 2003)


7- Ricardo Carlaccio

Apresentação às 14:20h

Release: Ricardo Carlaccio, São Paulo/SP, 1976. Publicou de forma independente os pockets Balada Perdida (ficção, 2003), Blues Escarlate (ficção, 2005), Um Drink No Bunker (contos, 2007), A Última Ficha na Jukebox (ficção, 2008) e o livro Dois Minutos de Gasolina para a Meia Noite (contos, 2009).

Tem contos publicados nas revistas Coyote (número 17) e Ele Ela (Edição 441). Mantém regularmente os blogs Neal Cassady Roubou meu Maveco (carlaccio.zip.net) e As Vadias de James Brown (bluevelvet.zip.net), de contos pornográficos.


8- Pizza e Tempurá

Apresentação às 14:30h

Release: Pizza e Tempurá é um casal (marido e mulher) da Pompéia que faz uma releitura do Classic Rock suave, apenas com guitarra, teclado e voz. Eles se chamam Cláudio e Cláudia e o nome da banda vem de suas descendências, japonesa e italiana.


9 - Renata Huber

Apresentação às 15:00h

Release: Renata Huber é atriz e compositora. Irá declamar algumas poesias com a participação/interpretação cênica de uma amiga. A banda Kind of Jazz irá acompanhá-la.


10- Kind of Jazz

Apresentação às 15:30h

Release: Kind of Jazz é uma banda de jazz, um trio de jazz bem suave e apenas instrumental, que irá apresentar músicas próprias que são baseadas em releituras de temas clássicos. Todos os integrantes são da Pompéia.


11- Jaboti

Apresentação às 15:50h

Release: Banda de MPB da Vila Pompéia.


12- Mayra Guanaes

Apresentação às 16:20h

Release: Um miniconto, uma atriz, um músico e o desafio de transformar tudo em dramaturgia e encenação.

O texto "Topa?" de Paula Klaus, interpretado e dirigido por Mayra Guanaes (Atriz de O Pequeno Teatro de Torneado, atualmente em cartaz com "Refugo", no teatro Vivo) e Enéias Ribeiro que além de atuar, assina a direção musical da cena, fala do "encontro com o outro", de todo o fim que é um recomeço, lançando um olhar sobre as relações humanas do mundo contemporâneo.


13- Xyss blues performance

Apresentação às 16:30h

Release: O Xyss é um profissional conceituado. Ele organizava, compunha e produzia o Bambalalão. Irá fazer um tiquinho do bambalalão com performance da banda dele de Blues, com músicas inéditas e músicas dos programas que produziu.


13- Desconcertos na Pompéia

Apresentação às 17:20h

Release: 'Desconcertos na Pompéia' apresentará uma inusitada, bem-humorada e agitada mistura de literatura e música. Uma proposta diferente e instigante que sintetiza e descobre novas possibilidades entre a voz e os textos das escritoras Yara Camillo e Giovanna Batini, e a música eletrônica, criada em computador além dos instrumentos acústicos, pela dupla 'ORBE.'

Quem são:
- Os encontros Desconcertos são organizados pelo escritor, resenhista e agitador cultural Claudinei Vieira, eventos que cruzam o sarau literário, a apresentação musical, a encenação e a dramaturgia.

- Yara Camillo Autora de Volições (São Paulo: Massao Ohno Editor, 2007) e Hiatos (São Paulo: RG Editores, 2004), ambos ilustrados por Wilson Neves. Em sua trajetória, trabalhos para teatro, traduções, e participação em várias antologias.

- Giovanna Batini, nascida e criada em São Paulo, cresceu em meio aos livros de seu pai escritor, formou-se em Marketing, mas sua paixão pela literatura a fez retomar a faculdade. Agora estudante de letras, escreve para os blogs: www.madamemim.zip.net e www.soprodamorgana.com.br e tem em seu PC um romance sendo finalizado e outro iniciado.

- A dupla "ORBE" se define como "música eletrônica brasileira nascida de vários softwares, circuit bending e algumas pitadas de instrumentos convencionais como: baixo, clarineta, pífanos, flautas étnicas, guitarra e voz. Estilo não há, mas ORBE mistura no mesmo balaio Odair José, Evaldo Braga, Led Zeppelin, Clementina de Jesus, Banda de Pífanos de Caruaru, Husker Du, Demolition Doll Rods, Kinks e Daft Punk. Por isso algumas músicas podem vir com o sub-título de "Brain", "Dance" ou "Brega".

...........

Programação Rua da literatura:


1-
Crivo magazine.


Lançamento às 16:00h.

Crivo Magazine é uma revista de poesia, artes gráficas, artes plásticas, quadrinho e e entretenimento dirigida por Matheus Carreira, Orlando Guerreiro e Rubens Pascali.



2- Guy Corrêa

Lançamento às 14:00h. Relançamento das obras: Tapa na Pantera na íntegra, uma “autobiografia não-autorizada” (Ficções Editora, 2008) e O hóspede perplexo (Ficções Ficções, 2008).



3- Ricardo Carlaccio

Leitura 14:20h. Relançamento às 15:00h. Relançamento da obra: Dois minutos de gasolina para meia-noite (publicado de forma independente em 2009)



4- Edmirian Módolo Villaça

Relançamento às 17:00h. Relançamento da obra: O Menino Sinhô - Vida e Música de Hermeto Pascoal para crianças

5- Exposição de livros de autores independentes e consagrados pelo Sebo do Bac

6- Exposição de livros da Livraria Louca Sabedoria

7- Artistas plásticos e cartunistas moradores da Vila Pompéia( Cartunista: Laudo Ferreira, artistas plásticos : L.R. Sales e Gabriel Spinelli).

8- Tenda o Quarto Mundo - Quadrinhistas indepenentes vendendo revistas HQs da Quarto Mundo

9- A partir da 13:00hs, Laudo Ferreira estará fazendo caricaturas na compra de 10,00 reais em revistas.

 



Escrito por Fabiano Rosa às 23h54
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Quarta feira de manhã!

Agora pouco desci pra fumar. Já tem um tempo que estou tentando parar e inacreditavelmente to conseguindo diminuir. Mas tem dias que é um pouco complicado e hoje parece ser um dia desses.

Acendi o cigarro, fiquei ali de cabeça baixa deixando o vento frio cortar meu rosto, vendo os carros atracados no transito completamente parado.

O céu esta azul com algumas nuvens brancas e não cinzentas, mas o sol pouco aquecia, disseram hoje cedo que tem um ciclone na costa que não deve vir para essas bandas, mas causa esse vento dilacerador.

Gosto do frio, vocês sabem disso. Gosto da chuva também, tenho um gosto estranho. Já me disseram isso, e eu concordo...

Disse no domingo que gostava do frio, ouvi uma boa resposta: Não tenho nada contra o frio, só quero estar aquecida no frio. Essa frase ficou na cabeça, e eu quando estava ali fumando estava me lembrando e um doido veio perturbar minha paz. Passou batido, voltou olhou pra mim e perguntou: Esta tudo bem, amigo? Na hora imaginei a minha cara, pra alguém que nunca lhe viu passar e fazer tal questionamento, minha cara não devia estar das melhores. Não é? Respondi que estava sim tudo bem. Devolvi a pergunta: E contigo, como esta? Ele me respondeu dizendo: Agora esta. Você não tem noção de quantos anos tem que não me perguntam como estou! Isso me fez bem, chamei o maluco pra tomar um café. Ele entrou imundo comigo na lanchonete, ele comeu feliz da vida, contou que tinha família e como via o mundo. No final terminou dizendo: É A VIDA. Disse pra ele que a vida é arte, e até nas maiores dificuldades conseguimos ver algo de bonito. Ele abriu um sorriso amarelo, me desejou sorte. Disse que a gente se encontraria ainda. Ele saiu cantando um blues antigo. Eu conhecia, pisquei pra ele e subi cantando o mesmo blues.



Escrito por Fabiano Rosa às 11h25
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MUNDO PEQUENO

0

“Estar é melhor que pensar”

 

Foi o que disse na volta.

Uma volta calma e serena, como todas as voltas deveriam ser. Sem aquela saudade prematura de algo que esta do seu lado. Sem aquela angustia que entala na garganta e te deixa zonzo.


  

1

O dia mais uma vez havia sido cansativo. Quando quase tudo por aqui se resolveu, parti para casa, mas mudei um pouco o caminho. Caminhei até uma padaria próxima e uma cerveja gelada comprei. Já no primeiro trago relaxei, e parti sem rumo.

Caminhei por entre alguns becos, passei pelo viaduto e vi como aquele lugar é lindo a noite, completamente diferente do mesmo lugar durante o dia. Admirei cada arranha céu, o céu mais uma vez estava estrelado e mais uma vez lembrei do interior de minas e segui até a estação.

Vagão cheio, eu sereno no canto.


  

2

Em casa descobri que lá longe a decepção atingia quem veio de longe e logo atingia quem estava por perto.

Eu cansado porem disposto.

Não seria justo.

A turista logo partiria, e ela ficaria sentida por nada poder fazer com a noite de sua grande amiga em sua casa.

Um mundo a conhecer, e eu disposto.


  

3

Nos encontramos em outra estação.

Em quem veio de longe o olhar vislumbrado com aquilo que é tão simples para nos.

Em quem estava por perto, o mesmo brilho radiante que tanto me hipnotiza.

Partimos com rumo.

Risadas, sotaques, brilhos, contos, passados, lembranças, futuros.

Chegamos.

Foi bom ver os olhos vislumbrados, descobrir que aquilo que é tão normal para alguns, é um mundo todo novo para outros.


 

4

A noite continuou calma. O lugar não muito cheio, mas também nada vazio. O ideal. A banda já escolhida por quem veio de longe variava estilos entre o samba rock e soul. Uma pegada diferente, linhas simples, mas bem definidas, seguimos ali, discutimos o quanto o mundo era pequeno, lembrando de um poema que postei por aqui tempos atrás de uma guria que eu só conhecia o poema graças a um maluco lá de porto alegre, mas era sua conhecida de tempos atrás sem saber do que estava por vir.

As risadas continuavam as pretensões não existiam e isso poderia até incomodar, mas não naquele momento, não vendo aquele sorriso.

Assim se fez, e assim o mundo pequeno minúsculo ficou. Quando de longe avistou quem já conhecia de tempos atrás, quando avistou quem escreveu o poema postado aqui tempos atrás. Caminhou até ela, conversaram, me chamou, não acreditei, me beliscou, continuei atônito, ali parado, sem acreditar. Ironias do tal destino acontecem.


  

5

A navegante continuava por ali quando tudo isso acontecia, os olhos ainda brilhavam, agora não mais com o mundo e sim com a banda que tocava em cima daquele palco.

As horas foram passando, alguns tragos na cerveja, boas conversas e as horas passando.


6

Um abraço, o encontro sutil sem a primeira frase, o calor diferente, a certeza do momento e nada mais.


 7

Quem veio de longe conheceu quem estava no palco, as pernas tremiam, lembrei da pequena quando se apaixonou pela primeira vez e eu descobri pelo olhar e pela voz macia, mas não comentei nada, apenas percebi que a pequena havia sim crescido.


 

8

O show acabou, dançamos juntos enquanto quem de longe veio conversava com quem chamou sua atenção. A noite chegava ao fim e estávamos partindo, Foi o que disse na volta. Uma volta calma e serena, como todas as voltas deveriam ser. Sem aquela saudade prematura de algo que esta do seu lado. Sem aquela angustia que entala na garganta e te deixa zonzo.

As mãos postadas, a arte de sorrir com o rosto todo, o brilho nos olhos e a conversa:

 

“Melhor que ficar em casa?”

 

“Estar é melhor que pensar!”

 

“Feliz”

 

“A intenção é sempre essa”

 

 



Escrito por Fabiano Rosa às 13h21
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